Laila  Hage

Uma história de fé e recomeço

A luz que a escuridão não apaga.

Mulher. Mãe. Cristã. Servidora pública. Sobrevivente. Uma voz que transforma feridas em caminho e silêncio em coragem.

Retrato de Laila Hage Laila Hage | Salvador, Bahia

01 · História pessoal

O que aconteceu comigo não é o fim da minha história.

Laila Hage durante uma apresentação

Me chamo Laila Hage, tenho 37 anos, sou mulher, mãe e sobrevivente.

Sou servidora do Tribunal de Justiça da Bahia, bacharela em Direito pela UFBA, tenho duas especializações e quase dez anos de advocacia em Direito de Família.

37anos de vida
UFBAbacharela em Direito
TJBAservidora pública
01

Eu conhecia a lei. Também conheci o medo.

Sei de cor o que a lei manda fazer quando uma mulher foge de um feminicídio.

02

Este relato contém descrições de violência

Dois dias depois de descobrir a gravidez

O pai do meu filho apertou o meu pescoço até o ar acabar, gritando que ia tirar o demônio de dentro de mim. Depois vieram os socos, os chutes e o celular arremessado que quebrou a minha mão.

Os dedos do meu pé foram abertos à força até fraturar, enquanto ele descrevia como iria picar o meu corpo e dar descarga na latrina.

Todos os dias havia também o que não deixa marca: violência psicológica extrema, com ataques ao meu corpo e à minha alma. Lixo, depósito de esperma, demônio.

03

Em julho de 2025, saí viva.

Denunciei. E a violência trocou de roupa: vestiu toga, farda e beca.

O inquérito parou. Ele descumpriu a medida protetiva passeando escoltado pelos corredores do tribunal onde trabalho. Me ameaçaram com alienação parental por ter medo de entregar meu filho a ele.

04

Isso tem nome na lei: violência institucional.

A Ordem dos Advogados entrou no meu processo para pedir que a minha proteção fosse reduzida e que ele não fosse preso por descumprir a medida, mesmo tendo confessado.

Chamou a minha segurança de “ganho irrelevante”. Uma instituição inteira, de pé, pelo homem que me estrangulou grávida.

05

Um milhão de pessoas viram.

Gravei um vídeo questionando aquela petição. Vieram mensagens de mulheres de todo o país com a minha história e outros nomes. Advogadas, médicas, juízas, mães. Estranguladas em casa e depois estranguladas pelo processo.

Eu não escolhi virar referência. Aconteceu. E quando aconteceu, entendi para que eu tinha sobrevivido.

06

A dor encontrou uma missão.

Ainda estou sangrando. Tenho processos abertos, um filho para proteger e noites em que o pescoço lembra. Mas processo a minha dor em público porque ela estanca o sangue de outras.

Cada mulher que me escreve dizendo “eu me vi na sua história” é uma a menos calada. E eu bem sei o quanto é solitário e sufocante não poder falar.

Deus não quis a minha dor. Mas não deixou que ela fosse à toa. Esta é a minha missão. Por ela, sigo de pé.
“Sobreviver foi o começo. Encontrar a minha voz foi o caminho. Usar essa voz por outras mulheres é o propósito.”
Manifesto | Laila Hage
Capa do livro Lumen
Livro digital gratuito

Lumen: a luz que a escuridão não apaga

Um relato sobre atravessar a dor sem permitir que ela seja a última palavra. Lumen nasce do encontro entre memória, fé e coragem, como companhia para quem também procura um caminho de volta à própria luz.

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02 · Novo livro em desenvolvimento

Quando a proteção fere

O Estado como extensão do agressor · Laila Hage

O Tribunal debate a teoria, o papel aceita tudo.

A realidade, no entanto, cobra em sangue.

Atravessei os corredores do Tribunal de Justiça da Bahia com o olho roxo.

Tinha tentado de tudo. Camadas grossas de corretivo, um curativo posicionado para esconder o estrago. Mas a marca era nua, impossível de camuflar.

E eu, naquele corredor, não era uma vítima qualquer entrando para denunciar: eu era quem escrevia as decisões daquele Tribunal.

Sabia tudo sobre aquele sistema, menos como fazer aquele sistema enxergar o roxo no rosto de quem o operava.

Prólogo · A Fortaleza de Papel
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A experiência informa o olhar. O olhar opera com método.
Seja bem vindo ao corredor da máquina.

03 · Instituto Lumen Aliwen

Da Saúde Mental ao Direito.

Um encontro entre experiência jurídica e psicologia do trauma para promover informação, cuidado, palestras e formações sobre a proteção de mulheres e crianças.

Instagram do Instituto
Laila Hage
01 · Direito

Laila Hage

Sobrevivente e jurista. Uma voz que transforma experiência em conhecimento para aproximar a proteção jurídica da vida real.

Mauricio Rubio
02 · Saúde mental

Mauricio Rubio

Psicólogo do trauma. Um olhar especializado para compreender as marcas da violência e os caminhos possíveis de reconstrução.

03 · Palestras e formações

Conhecimento que transforma

Encontros para profissionais, instituições e pessoas comprometidas com saúde mental, direitos e proteção efetiva.

04 · Assista

Quando uma história é dita em voz alta, ela deixa de ser silêncio.

Conversa 01

Uma história que rompe o silêncio

Conversa 02

Fé, justiça e a coragem de continuar

Podcast

Ouça a conversa completa no Spotify

05 · O que me move

Três forças que permanecem quando tudo parece incerto.

01 · Fé
A fé não apaga a dor. Ela acende um caminho dentro dela.

É onde encontro força para continuar, mesmo quando ainda não consigo ver a chegada.

02 · Verdade
Dar nome ao vivido é recuperar a própria história.

Quando a verdade encontra espaço, o silêncio deixa de decidir quem somos.

03 · Presença
Ninguém deveria atravessar a escuridão sozinha.

Uma palavra, uma escuta e uma presença verdadeira também podem ser luz.

06 · Blog

Palavra que atravessa o silêncio.

Um espaço para artigos, análises e reflexões sobre direito, proteção, violência institucional, fé e reconstrução. Conteúdo autoral para compreender com profundidade e transformar conhecimento em caminho.

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Proteção que precisa alcançar a realidade

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